Esse blog precisa urgentemente ser atualizado, e nada melhor do que um post breve e leve para recomeçar a escrever. Sem grandes pretensões!
Passei o final de semana com a parte da minha família que ainda mora em Porto Alegre – minha avó de 88 anos e meus sobrinhos de 5 e 10. E cada um deles estava lidando com uma interface diferente, e foi bem interessante ver como cada um entende a interface com a qual tem que lidar. Eu fui solicitada a explicar o funcionamento de algumas coisas. Minha sobrinha de 10 ganhou seu primeiro iPod (ela sabia que era o Nano), e a primeira coisa que quis fazer foi mudar o background. No mais, se encantou pela possibilidade de girar e mudar a orientação da tela – coisa que, num display quadrado, nem faz assim tanta diferença. E saiu ouvindo suas 200 novas músicas que a tia aqui carregou no pequeno tocador, que é pra ajudar na educação musical da moça cujos pais gostam muuuito de pagode.
Já o sobrinho de 5 mal me beija e já quer o iPhone – para, naturalmente, jogar. O principal desafio do cara é descobrir a minha senha, para ter autonomia (os dois primeiros números ele já pegou, só de me olhar). Nem precisa dizer que tem a maior desenvoltura com as coisas lá dentro.
Mas minha vó foi quem mais me intrigou dessa vez. Me pediu ajuda para aprender a fazer tocar seus CDs, num player comum. Todo mundo já explicou, e o aparelho está cheio de esparadrapos com instruções, mas mesmo assim ela esquece (não é de se estranhar, já que a fofa tem 88 anos e uma saúde de ferro, mas está começando a esquecer coisas e repetir histórias que acabou de contar).
Ela reclamou que nunca chegava na música que ela queria ouvir. Qual é o número da música, vó? É a 20, diz ela. E eu mostrei as setas, para frente e para trás. Ah, então tenho que ir contando até o número da música? Não, vó, é só olhar o número mudando aqui no visor. Ah! Ela não tinha visto que isso existia. E em qual seta tenho que clicar pra ir pra frente? A da direita, parece óbvio, afinal a seta aponta para frente. Onde é a frente, vó? Ela estica o braço para frente na terceira dimensão e diz oras, é pra lá! Claro que é pra lá. Mas interfaces não tem terceira dimensão, então desenho uma linha do tempo e digo: passado, para trás (esquerda), futuro, para frente (direita). Música 20, futuro = para a direita.
Ela acha muito confuso e esquece tudo de novo.
Claro, eu devia ter usado a analogia de uma régua. Muito mais fácil.
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Tags:interfaces