Uma cidade gentil

16 mar

Austin é gentil. Não apenas seus moradores, mas a cidade em si. É espaçosa, fluída, macia, confortável. Gentil.

Tem praças no centro em que donos soltam seus cachorros.

Tem trilhas para bike, corrida, caminhada e trekking no meio da cidade.

Tem um grande rio.

Tem parques e pequenas cachoeiras.

Tem lugares com grandes gramados para sentar e ver shows.

Bicicletas convivem com carros.

Tem comida boa e pessoas com roupas legais.

Tem o melhor supermercado do mundo, com o melhor controle de qualidade do mundo, onde só vende produtos cruelty-free.

Tem mais cultura e tecnologia do que consumo.

Tem o SXSW.

Tem cores.

E tem a Angela, primeiro ser que chamei de amiga na vida, há uns 30 anos. E é bom encontrar de novo com gente que conhece a essência do que e gente é, antes da gente ser perturbado virar conturbado pela vida. E tem o Stew, marido dela, e a Ali, a cachorra, e o Chow, o gato fofo que tá com diabetes.

 

 

Viver do jeito que eu quero

16 mar

Às vezes me bate uma urgência e uma raiva de não estar vivendo do jeito que queria estar. Quando isso acontece, penso: mas por que não estou vivendo do jeito que quero, mesmo? O que está me impedindo de viver do jeito que quero?

Aí hoje pensei: vou viver do jeito que quero e pronto.

Isso começa por:

- Vestir. Vou me vestir do jeito que eu quero, independente de reunião, cliente, trabalho, passar ridículo.

- Morar. Só tem um motivo para eu ainda não estar morando em uma CASA com QUINTAL, e ele é financeiro. Assim que esse impedimento seja removido, não tem mais motivo nenhum pra eu não morar do jeito que eu quero.

- Só vou fazer o que eu quero e pronto. Chega de fazer coisas por educação, sociabilidade, simpatia, porque eu “tenho que”.

E termina com:

- Sair de São Paulo. São Paulo não é vida. E todo mundo que mora lá é um sapo que entrou na panela de água fria e não percebeu que a água ferveu.

- Trabalho: já dei um passo bem grande na direção de viver como eu quero ao ter minha própria empresa. Agora só falta achar uns projetos que tenham mais SENTIDO pra mim.

 

 

 

 

Pequeno poeminha aos wireframes

30 jan

Nunca fiz tanto wireframe
Como agora
(agora que tenho uma empresa
e supostamente virei chefe)

Costumava desdenhá-los.
Os pobres coitadinhos.
Sonhava com um dia
em que não mais os faria
(e nem ninguem da minha equipe.
e os diretores de arte
entenderiam wireframes
descritivos
em Word)

Hoje em dia os wireframes
- coisas fofas, inocentes -
ocupam o centro do mundo
(meu)
e são uma das coisas mais bonitas
que saem da minha empresinha.
(graças a uns seres talentosos
que com a gente trabalham)

Sem desdenhar, portanto
Porque de nada adianta
estratégia e fluxo
sem um bonito wireframe
para isso representar.

Wireframes
comunicam
toda a doçura de uma interface.
E permitem de um jeito lindo
que os clientes entendam o que vai acontecer
e que os desenvolvedores saibam o que programar
e que os diretores de arte
não tenham que tirar da cartola
os elementos das telas.

Wireframes, wireframes.
Só tenho ainda um lamento:
por mais fantásticos que sejam
acabam no lixo digital
assim que ocorre o lançamento

 

Um poeminha

23 dez

Açaí, café, ouvindo a rádio Campeche.

Mar, salada, peixe – na casa da prima I work the afternoon away.

(amanhã Guarda do Embaú, amanhã trabalho só braçal)

O primo faz um móvel – zuuuuuiiiimmmm, faz a furadeira -, o primo é marceneiro.

Santa Catarina me construiu, e depois eu a abandonei.

Assim como fiz com Porto Alegre.

Venho pro sul e fico procurando a eu que eu era.

 

Dois em um

30 nov

Ah, a malfadada tentativa de fazer um blog “profissional” – o resultado é esse, meses sem posts.

Não adianta, não sei separar ficção de realidade – ops, vida profissional da vida pessoal. Não sei. E por isso não sei preparar e cumprir a pauta de assuntos oh tão interessantes e emitir em forma de posts opiniões oh tão inteligentes sobre a faina diária que me arrumei – a de arrumar conteúdos e planejar interfaces que façam sentido nesse mundinho/mercado regido por regras que não me dizem respeito.

Sempre que tentei [montar o eu-profissional] o resultado foi um arremedo, uma ficção com enredo ruim – nunca durou muito e sempre ficou bastante evidente que aquela pessoa ali (eu, no caso) estava tentando se auto-editar num esforço de caber numa embalagem.

“Tem muita verdade em ti”, já disseram de mim, e com isso concordo e disso tenho orgulho. Não consigo representar a Alessandra-profissional. Em mim é tudo junto, do front end dá pra ver pedaços do back end, umas linhas de código escapando, a fiação solta – e não cabe a mim esconder atrás de uma fachada bonita. Não cabe a mim nem a ninguém. Não cabe – as in não tem cabimento mesmo.

Não, não verão os posts “profissionais” e as twittadas de auto-promoção.

Aqui não, coração.

Ou, melhor: aqui, só coração.

 

Prêmio Intranet Portal 2011

21 set

O blog ficou abandonado por tanto tempo que o último post antes da migração do Drupal para o WP, logo ali embaixo, fez aniversário de um ano, e agora já temos os vencedores de 2011:

Método Engenharia – Grand Prix empresas privadas

Banco do Brasil (Diretoria SP) – Grand Prix organizações não privadas

No pilar conteúdo, do qual tive a honra de ser jurada mais uma vez, os vencedores foram Sebrae – AL, SBT e Nous.

O grande ponto de atenção da maioria das intranets analisadas é a arquitetura de informação, usabilidade e design. Mesmo intranets finalistas e premiadas têm alguma ressalva relacionada a isso. É preciso mais atenção, afinal, de nada adianta conteúdo, serviços e funcionalidades excelentes, se o usuário não as consegue encontrar e a experiência de uso é frustrante e desagradável.

Mais informações sobre o prêmio: http://www.premiointranetportal.com.br/

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As interfaces e as diferentes idades

18 set

Esse blog precisa urgentemente ser atualizado, e nada melhor do que um post breve e leve para recomeçar a escrever. Sem grandes pretensões!

Passei o final de semana com a parte da minha família que ainda mora em Porto Alegre – minha avó de 88 anos e meus sobrinhos de 5 e 10. E cada um deles estava lidando com uma interface diferente, e foi bem interessante ver como cada um entende a interface com a qual tem que lidar. Eu fui solicitada a explicar o funcionamento de algumas coisas. Minha sobrinha de 10 ganhou seu primeiro iPod (ela sabia que era o Nano), e a primeira coisa que quis fazer foi mudar o background. No mais, se encantou pela possibilidade de girar e mudar a orientação da tela – coisa que, num display quadrado, nem faz assim tanta diferença. E saiu ouvindo suas 200 novas músicas que a tia aqui carregou no pequeno tocador, que é pra ajudar na educação musical da moça cujos pais gostam muuuito de pagode.

Já o sobrinho de 5 mal me beija e já quer o iPhone – para, naturalmente, jogar. O principal desafio do cara é descobrir a minha senha, para ter autonomia (os dois primeiros números ele já pegou, só de me olhar). Nem precisa dizer que tem a maior desenvoltura com as coisas lá dentro.

Mas minha vó foi quem mais me intrigou dessa vez. Me pediu ajuda para aprender a fazer tocar seus CDs, num player comum. Todo mundo já explicou, e o aparelho está cheio de esparadrapos com instruções, mas mesmo assim ela esquece (não é de se estranhar, já que a fofa tem 88 anos e uma saúde de ferro, mas está começando a esquecer coisas e repetir histórias que acabou de contar).

Ela reclamou que nunca chegava na música que ela queria ouvir. Qual é o número da música, vó? É a 20, diz ela. E eu mostrei as setas, para frente e para trás. Ah, então tenho que ir contando até o número da música? Não, vó, é só olhar o número mudando aqui no visor. Ah! Ela não tinha visto que isso existia. E em qual seta tenho que clicar pra ir pra frente? A da direita, parece óbvio, afinal a seta aponta para frente. Onde é a frente, vó? Ela estica o braço para frente na terceira dimensão e diz oras, é pra lá! Claro que é pra lá. Mas interfaces não tem terceira dimensão, então desenho uma linha do tempo e digo: passado, para trás (esquerda), futuro, para frente (direita). Música 20, futuro = para a direita.

Ela acha muito confuso e esquece tudo de novo.

Claro, eu devia ter usado a analogia de uma régua. Muito mais fácil.

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